Corte de R$ 2 Bi nos Correios e fechamento de agências

Correios anunciam corte de R$ 2 bilhões e fechamento de agências

Os Correios apresentaram, em 29 de dezembro de 2025, um plano de reestruturação abrangente que inclui o corte de cerca de R$ 2 bilhões em despesas com pessoal, o fechamento de cerca de 1.000 agências em todo o país e outras medidas para tentar reverter uma das maiores crises financeiras de sua história.

O que mudou no plano e quais são as medidas principais

O plano foi divulgado pela direção dos Correios como parte de uma estratégia de recuperação que se estende de 2025 a 2027, com o objetivo de estancar prejuízos históricos, equilibrar as contas e restabelecer a sustentabilidade financeira da estatal. Entre as principais medidas estão:

  • Corte de gastos com pessoal da ordem de R$ 2,1 bilhões, incluindo programas como demissão voluntária (PDV) para cerca de 15 mil funcionários, o que representa aproximadamente 18% do quadro atual.
  • Fechamento de cerca de 1.000 agências, em uma rede que atualmente conta com cerca de 5 mil unidades próprias, com foco em reduzir pontos de atendimento deficitários.

  • Venda de imóveis não operacionais, estimada em mais de R$ 1,5 bilhão para reforçar o caixa da empresa.Revisão de benefícios, como planos de saúde, para reduzir custos recorrentes em cerca de R$ 500 milhões por ano.

  • Captação de crédito de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de grandes bancos, com parte dos recursos entrando no caixa ainda em dezembro e o restante até janeiro de 2026.

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, destacou que o modelo econômico da empresa deixou de ser “viável” sem ajustes profundos, e que as medidas visam garantir a continuidade operacional, reduzir despesas e preparar a estatal para voltar a ter lucro possivelmente a partir de 2027.

Fatores que impactaram os Correios

Os Correios enfrentam um cenário complexo de prejuízos consecutivos, já somando 12 trimestres de resultados negativos, com prejuízos que superaram os R$ 4 bilhões apenas no acumulado de 2025 até setembro.

Alguns fatores que contribuíram para esse resultado incluem:

1. Queda de receitas e mudanças legislativas: A receita da empresa vem diminuindo em comparação com anos anteriores. Parte da queda está relacionada à implementação de medidas fiscais, como a cobrança de impostos sobre remessas internacionais menores (“taxa das blusinhas”), que alteraram o fluxo de volumes tratados pelos Correios e reduziram receita em comparação com o desempenho anterior da estatal.

2. Alta dependência de serviços tradicionais versus concorrência: Com o crescimento do mercado de logística privada, os Correios perderam participação em segmentos antes dominados, como a entrega de encomendas expressas, reduzindo a competitividade e pressionando margens de lucro.

3. Estrutura de custos elevada: Os custos com pessoal e benefícios representam uma grande parte das despesas operacionais da empresa, o que limita sua flexibilidade em cenários de receitas estagnadas ou em queda.

Impactos no cenário nacional

O plano de reestruturação dos Correios ocorre em um contexto mais amplo de ajustes fiscais e desafios econômicos no Brasil. A estatal é uma das maiores empresas públicas do país e exerce um papel histórico de prestação de serviços essenciais, especialmente em áreas remotas. No entanto, a necessidade de equilibrar as contas traz implicações para a presença do serviço postal tradicional, com impacto potencial em:

  • Serviço à população, com redução de pontos de atendimento físico, sobretudo em localidades com menor movimento financeiro.

  • Emprego formal, com a saída voluntária de milhares de funcionários.

  • Competitividade no setor logístico, forçando a estatal a acelerar sua modernização e eficiência frente a operadores privados.

A crise nos Correios também reflete um desafio mais amplo enfrentado por empresas públicas no Brasil: conciliar o papel social e universal da prestação de serviços com a necessidade de sustentabilidade financeira em um ambiente de concorrência aberta e pressão por resultados. Enquanto governos anteriores buscaram medidas para apoiar a estatal, a continuidade de prejuízos levou a uma reavaliação profunda do modelo de negócios.

O que esperar daqui para frente

Com o novo plano, os Correios esperam alcançar uma economia anual significativa — estimada em mais de R$ 7 bilhões — a partir da combinação de cortes de gastos, fechamento de agências e otimização de ativos, ajudando a estabilizar as finanças e possibilitar um retorno gradual à lucratividade até o final da década.

A execução dessas medidas será um ponto de atenção para consumidores, empregados e analistas econômicos, pois definirá se a estatal conseguirá manter sua missão de serviço universal enquanto se adapta às exigências de um mercado em rápida transformação.

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